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Falcoaria, Arte e Profissionalismo

Milton Mello em exibição com seu Falcão de coleira (Falco femoralis). - Fotos: Luiz Freire

Em Iguaba Grande vem sendo praticada uma atividade que é pouco divulgada no país e poucos conhecem o termo Falcoaria, mas é uma atividade que não tem nada de nova. Há evidências de que há falcoaria no Oriente Médio desde o século I a.C. A falcoaria era um esporte popular entre os nobres da Europa medieval e do Japão feudal, verdadeiro símbolo de status. Para quem não conhece vamos explicar!
Estamos nos referindo à arte de adestrar aves de rapina (falcões, gaviões, águias e corujas), onde os adestradores são chamados de falcoeiros. Muitos de nós já virmos em alguns filmes, reis e nobres montados em seus belos cavalos e com seus fascinantes falcões sobre o punho enluvado. Bom, não dependemos mais de filmes para podermos desfrutar dessas imagens!

Milton Mello é um desses falcoeiros e reside em Iguaba Grande, devidamente autorizado pelo IBAMA o falcoeiro vem dedicando 10 anos de sua vida no manejo dessas aves em trabalhos de reabilitação utilizando técnicas de falcoaria. As aves chegam ao falcoeiro por intermédio da ABFPAR (Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação a Aves de Rapina) sediada em Itaipú – Niterói. Essas aves chegam a ABFPAR através de bombeiros, policia florestal, cetas e/ou pessoas que por ventura acabam encontrando filhotes caídos de ninhos ou adultos com algum problema físico ou traumático. Isso porque, infelizmente essas aves ainda são vista como mal vizinho, mesmo fazendo um trabalho importantíssimo para todos nós que é o controle de animais nocivos como cobras, ratos e insetos. Continuam sendo muitas vezes apedrejados por pessoas que não tem o mínimo de respeito com os animais, isso acontece com muita freqüência por criadores de “passarinhos” e/ou por conta de crenças populares que acreditam que as corujas principalmente, dão azar ou mesmo atrai a morte quando pousam e/ou vocalizam sobre as casas. Depois de ser cuidadosamente analisada pelo falcoeiro-veterinário Dr. Leo Fukui na ABFPAR, algumas dessas aves são enviadas para Iguaba Grande onde é iniciado o trabalho de reabilitação da ave pelo falcoeiro. Essas aves recebem uma alimentação controlada e balanceada composta de codornas e camundongos e passam por exercícios diários. São levadas para voarem livres em alguns campos da área incluindo a fazenda do atual prefeito Oscar Magalhães. Quando estão nessa fase de vôos livre são direcionadas as suas presas naturais como insetos, pombos, morcegos, ratos e cobras. Após as aves estarem voando bem novamente, capturando suas presas naturais é feito um levantamento onde ocorre a espécie em questão e em seguida são soltas para que voltem a seu habitat natural e em Iguaba há uma boa diversidade de aves de rapina.

Além da falcoaria ser usada no trabalho de reabilitação a falcoaria também é utilizada no trabalho de educação ambiental e controle ambiental de fauna. O falcoeiro Milton Mello vem trabalhando com educação ambiental em alguns colégios do Rio de Janeiro de forma gratuita para rede municipal com a intenção de levar aos alunos a experiência de conviver mais de perto com a natureza e com os animais. Quanto ao controle ambiental de fauna, alguns países utilizam este método em aeroportos evitando colisões de aves com aeronaves. O caso mais recente de acidente causado por aves foi no dia 16/01/2009 um avião da Airbus A320 da US Airways que caiu no Rio Hudson, em Nova York, nos Estados Unidos onde todos os 150 passageiros e cinco tripulantes que estavam a bordo sobreviveram ao acidente, mas que infelizmente poderia ter diferentes conseqüências.
No Brasil o primeiro aeroporto a realizar esse trabalho o Aeroporto de Pampulha – MG mostrando resultados satisfatórios e em março desse ano a empresa Hayabusa também estará realizando o trabalho no Aeroporto Salgado Filho – RS utilizando como “arma” principal à espécie Falco peregrinus (animal mais rápido do mundo) que serão manuseados pelo falcoeiro Milton Mello e outros membros da equipe. Esse trabalho diferente do que muitos imaginam não tem como finalidade abater o máximo de presas possível e sim afastar as presas com o efeito natural presa-predador, pois ao verem um predador na área as presas procuram um local mais seguro. Não é mentira que os falcões capturam algumas presas, porém essas presas são retiradas dos falcões com vida, analisadas e observadas por profissionais e após isto são soltas a 300 km do local.

Abaixo uma listagem das principais aves de rapina registrada em Iguaba Grande: 10 espécies de gaviões, 03 espécies de falcões, 05 espécies de corujas e 01 espécie de águia. Os nomes grifados na mesma são das espécies reabilitadas em Iguaba Grande pelo falcoeiro Milton Mello.

Gaviões
Gavião-Carijó (Rupornis magnirostris), Carcará (Caracara plancus), Carrapateiro (Mivalgo chimachima), Gavião de Cauda-Branca (Buteo albicaudatus), Gavião de Cauda-Curta (Buteo brachiurus), Gavião Caracoleiro (Chondrohierax uncinatus), Gavião Caramujeiro (Rostrhamus sociabilis), Gavião Cara-de-Gato ou Acauã (Herpetotheres cachinnans), Gavião Peneira (Elanus leucurus) e Gavião-marrom (Buteogallus meridionalis).

Falcões
Gavião-Andorinha ou Gavião de Coleira (Falco femoralis), Gaviãozinho ou Flexinha (Falco sparverius) e o Falcão Peregrino (Falco peregrinus).

Águia
Águia-Pescadora (Pandion haliaetus)

Corujas
Coruja-das-Torres (Tyto alba), coruja-orelhuda (Asio clamator), Coruja-buraqueira (Athene cunicularis), caburé (Glaucidium brasilianum) e o corujão (Bubo virginianus).

Gostaríamos de pedir aos cidadãos de Iguaba Grande que ao encontrar qualquer animal em sua casa ou próximo e acharem que o mesmo oferece risco aos moradores, entrem em contato com a prefeitura, policia florestal ou os bombeiros para que especialistas possam ir ao local fazer a remoção do animal (vivo) para que o mesmo possa ser solto em outra área mais isolada.
Se cada cidadão fizer sua parte, assim incentivando o próximo a fazer o mesmo, acreditamos que viveremos num município, estado e pais muito melhor.

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